“Começar de novo, e contar comigo, vai valer a pena, ter amanhecido...” O verso da canção de Ivan Lins, tema da novela Malu Mulher, traduz sentimentos profundos que muitas mulheres carregam após saírem de um relacionamento tóxico e violento. É a sensação de sobrevivência após uma guerra silenciosa, onde a dor e o medo se misturam, mas onde permanece, também, a esperança.
Esse é o cenário que a campanha Agosto Lilás quer iluminar. Mais do que nunca, neste 2025, com o lema “Não deixe chegar ao fim da linha”, a campanha faz um alerta importante: a violência contra a mulher é um problema de toda a sociedade, e o combate a ela depende da ação coletiva. O agressor, muitas vezes mascarado por uma aparência “aceitável”, manipula e destrói vidas com brutalidade que vai além do físico — há violência moral, verbal, financeira e psicológica.
Infelizmente, a culpa frequentemente recai sobre a mulher, como se a escolha de amar alguém violento fosse uma sentença escrita em sua testa. “Por que você ficou com ele?”, perguntam. Ao mesmo tempo, a pressão social incentiva a tolerância e a permanência no relacionamento abusivo sob o pretexto de que ele “é bonzinho”. Essa hipocrisia só fortalece o ciclo da violência.
No entanto, não estamos sozinhas. Hoje, há uma rede de proteção crescente — grupos de apoio, instituições, propostas legais cada vez mais rigorosas e um número crescente de denúncias que mostram a coragem de não se calar mais. A Central de Atendimento à Mulher, através do telefone 180, é um canal vital para denunciar e começar a construir uma vida livre do medo.
As forças policiais e guardas municipais têm se empenhado na conscientização, proteção e na criminalização dos agressores. A diminuição gradativa da taxa de feminicídios no país é um sinal de que o enfrentamento pode dar resultados, ainda que o caminho continue longo e difícil.
Se você ou alguém que você conhece está vivendo violência, lembre-se: não está sozinha. Existe vida após o sofrimento. Existem pessoas e instituições dispostas a acolher, ouvir e proteger. Seja essa mulher que começa de novo, que conta consigo mesma para reconstruir sua história.
E nós, como sociedade, devemos ouvir, apoiar e agir. O combate à violência contra a mulher só será vencido se for feito por todos nós.
Principais Fontes e Redes de Apoio para Mulheres Vítimas de Violência no Brasil
1. Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
-
Serviço gratuito e sigiloso, disponível 24 horas por dia, com atendimento em todo o Brasil.
-
Recebe denúncias de violência contra a mulher, orienta sobre direitos e encaminha para serviços especializados.
-
Telefone: 180
-
Site do governo: https://www.gov.br/mdh/pt-br/acesso-a-informacao/denuncias-e-ouvidorias/central-de-atendimento-a-mulher-180
2. Disque 100
-
Canal de denúncia para diversos tipos de violações de direitos humanos, incluindo violência contra mulheres.
-
Disponível 24 horas, sigiloso.
-
Telefone: 100
-
Site: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/violencia/disque-100
3. Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM)
-
Presença em muitos municípios, focadas na acolhida e investigação de violência contra a mulher.
-
Atendimento especializado, com equipes preparadas.
-
Localize a mais próxima via Secretaria de Segurança Pública do seu estado.
4. Casa da Mulher Brasileira
-
Espaço que reúne diversos serviços para atendimento integral (atendimento psicológico, jurídico, social e policial).
-
Presente em vários estados, é uma referência para proteção e acolhimento.
-
Mais informações: https://casamulherbrasileira.gov.br/
5. Aplicativo 'Violência Doméstica' do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos
-
Aplicativo gratuito para celular que possibilita denunciar casos de violência e obter informações.
-
Onde denunciar e como agir.
-
Disponível em lojas de apps (Google Play e Apple Store).
6. Redes de apoio locais e ONGs
-
Muitas cidades têm grupos e instituições especializadas em acolhimento e suporte psicológico, jurídico e social a mulheres em situação de violência.
-
Exemplos nacionais:
-
Rede Lilás: articulação de organizações que atuam no enfrentamento da violência contra a mulher.
-
Instituto Maria da Penha: promove campanhas, capacitação e apoio a vítimas.
-
Casa dos Direitos da Mulher e Conselhos de Direitos Humanos municipais.
-
