O Arraiá dos Guaxos foi uma noite memorável, repleta de encontros, tradição e alegria, e tudo começou com a companhia especial de Maria Bertoche, Valdir Ribeiro e Rodrigo Cocenza, a quem agradeço imensamente por me levarem até lá. A viagem já foi uma experiência à parte: partimos de Teresópolis em uma tarde de inverno, percorrendo estradas sinuosas cercadas por montanhas verdejantes. O céu estava límpido, e a conversa animada, embalada por clássicos da MPB, fez os quarenta minutos de trajeto passarem rapidamente.
Ao nos aproximarmos de São José do Vale do Rio Preto, a cidade se revelou charmosa, com casas coloniais bem cuidadas, ruas de paralelepípedo e uma igreja católica azul e branca, em estilo barroco, que domina a praça central. O clima era de acolhimento, com moradores conversando na praça e o aroma de café fresco vindo das padarias locais.
Seguimos então para a Agrovila, cruzando uma ponte de madeira sobre um pequeno rio. O sítio já impressionava de longe: bandeirinhas coloridas balançando ao vento, luzes penduradas sob o telhado de madeira e muita gente chegando, vestida a caráter, com roupas típicas e adereços juninos. O ambiente era rústico e aconchegante, com mesas de madeira e galhos de bambu decorando o espaço.
Logo na chegada, os sentidos foram despertados pelo aroma das sopas quentinhas, petiscos regionais, pé-de-moleque, cocada, bolo de aipim e outras delícias preparadas com carinho pela comunidade. Para aquecer do frio, havia refrigerantes artesanais, quentão e cachaças especiais, servidos com simpatia.

A programação cultural foi fiel ao cartaz oficial do evento e trouxe momentos inesquecíveis. A contação de causos divertiu e emocionou o público, enquanto a apresentação de calango trouxe versos improvisados e interação entre os presentes. A quadrilha reuniu pessoas de todas as idades em uma grande roda de celebração, e o forró ao vivo animou a pista, fazendo todos dançarem juntos. Entre as atrações musicais, a banda Forró de Matuta, composta só por mulheres, foi um dos grandes destaques da noite, levantando o público com clássicos do forró, xote, xaxado e maracatu. Antes delas, uma dupla de repentistas arrancou risadas com versos criativos, e uma banda de música folclórica fez todos se envolverem ainda mais com o clima da festa.
O ponto de encontro da noite foi a grande fogueira acesa no centro do terreiro. Ao redor dela, as pessoas se aqueciam, compartilhavam histórias e admiravam as labaredas. Em um momento especial, consegui registrar em foto as chamas desenhando o formato de uma cigana dançando; em outro clique, as labaredas pareciam pássaros voando, criando imagens poéticas e únicas que ficarão para sempre na memória.