Na noite do dia 24 de abril de 2025, a Câmara Municipal de Teresópolis foi palco de uma audiência pública emocionante e necessária, com o tema “Autismo — desafios e caminhos para a inclusão”. O encontro reuniu famílias, profissionais da educação e da saúde, representantes de associações locais e membros da sociedade civil, reforçando o tamanho e a importância da mobilização em torno da causa.
A audiência foi presidida pela vereadora Professora Amanda e contou com a presença do vereador Diego Barbosa, único membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência presente na ocasião. Outros vereadores também compareceram, assim como mães atípicas e representantes da Prefeitura, em uma demonstração de que o tema começa a ganhar mais visibilidade política.
Organizada como um espaço de escuta e construção coletiva, a audiência reforçou a importância do diálogo na promoção de uma cidade mais empática e acessível. Valéria Viana, fundadora da Associação TEIAA — Associação de Pais e Amigos de Autistas de Teresópolis — destacou a trajetória de luta da entidade, que em 2025 completa dez anos de atuação.
"Começamos com 22 famílias e hoje somos mais de 600", relatou Valéria. "Ainda enfrentamos enormes dificuldades, como a falta de terapeutas ocupacionais, fonos, psicomotricistas e neurologistas infantis. A fila de espera por atendimento é absurda. Apesar dos esforços de alguns vereadores, infelizmente a Prefeitura nunca foi efetiva na ajuda à associação", desabafou.

A audiência também trouxe à tona problemas graves na educação inclusiva. Segundo Valéria, a alta rotatividade de cuidadores escolares — devido ao Programa de Ocupação Temporária (POT), que limita o vínculo a dois anos — prejudica o desenvolvimento de crianças autistas nas escolas municipais. "Precisamos de concurso público para profissionais capacitados na área", defendeu.
Gizele Aguiar, voluntária da Casa Vida — entidade que também completa dez anos em 2025 — reforçou a necessidade de apoio emocional às famílias de pessoas com deficiência. "O cérebro de uma mãe atípica funciona como o de um soldado em guerra. Essas mulheres precisam de suporte psicológico, psiquiátrico e de capacitação profissional para conseguirem cuidar dos seus filhos", pontuou, emocionada.
Gizele também celebrou iniciativas de capacitação de mediadores escolares e profissionais de serviços como cabeleireiros e barbeiros para melhor atender crianças autistas. "Cuidar de quem cuida é extremamente necessário", afirmou.
Apesar dos desafios, o evento deixou um sentimento de esperança. Anúncios como a abertura de uma clínica especializada para pessoas com TEA e a busca por novos projetos de capacitação foram recebidos com entusiasmo, mas também com a promessa de contínua cobrança para que saiam do papel e impactem a realidade das famílias.
A inclusão começa com o diálogo. E ele começou em Teresópolis.
