O Banco do Brasil enfrenta um cenário desafiador em 2025, com forte impacto financeiro causado pela maior inadimplência, especialmente no crédito rural, e pela nova norma contábil (Resolução 4.966) que restringe o reconhecimento de receitas em contratos com atrasos superiores a 30 dias. No primeiro trimestre, o lucro líquido caiu 57,2% em relação a 2024, enquanto a receita recuou 34,7%, pressionando margens e linhas de receita. O banco retirou seu guidance para o ano, aumentando a incerteza no mercado.
As projeções para 2025 foram revisadas para baixo por analistas, com estimativas de lucro entre R$ 23,5 bilhões e R$ 25,7 bilhões, refletindo aumento significativo nas provisões para crédito de liquidação duvidosa, que podem chegar a R$ 12 bilhões. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) deve cair para cerca de 13%, com expectativa de recuperação gradual conforme a inadimplência e o ciclo do crédito rural se estabilizem.
O recente movimento de alta de aproximadamente 2% nas ações do banco é interpretado como uma reação técnica, possivelmente causada pela recompra de posições vendidas na expectativa dos resultados do segundo trimestre. Apesar disso, as ações seguem negociadas em patamares descontados em relação ao desempenho histórico e a concorrentes do setor.
O principal desafio para o Banco do Brasil é reconquistar a rentabilidade por meio da gestão eficaz dos riscos no segmento agropecuário, equilibrando as restrições regulatórias e os custos elevados de crédito. A recuperação sustentável dependerá da estabilização da inadimplência e da retomada do crescimento controlado da carteira de crédito nos próximos trimestres.
