O rapper Gustavo da Hungria Neves, conhecido como Hungria Hip Hop, está internado em Brasília com suspeita de intoxicação por metanol, substância tóxica presente em bebidas alcoólicas adulteradas. Hungria deu entrada no Hospital DF Star na última quinta-feira (2) apresentando sintomas como dor de cabeça, náuseas, vômitos, visão turva e acidose metabólica, quadro que indica intoxicação grave. O artista foi transferido para a UTI e passou por hemodiálise para filtrar o sangue e eliminar as toxinas.
Segundo a assessoria, Hungria está fora de risco iminente e sob acompanhamento médico, mas teve a agenda de shows cancelada por tempo indeterminado.
O rapper consumiu a bebida suspeita na casa de amigos na região de Vicente Pires, no Distrito Federal, sendo o único a ingerir a vodca que possivelmente causou o quadro. Até então, o Distrito Federal não registrava casos de intoxicação por metanol, o que faz do caso de Hungria o primeiro em investigação na capital federal.
O cantor, que tem forte ligação com a periferia de Brasília, fez shows no interior de São Paulo no fim de semana anterior, estado que já enfrenta uma crise com dezenas de casos confirmados de intoxicação e investigação sobre bebidas adulteradas.
O problema faz parte de uma crise de saúde pública que afeta o Brasil, onde pelo menos 59 suspeitas de intoxicação por metanol foram notificadas recentemente, com maior concentração em São Paulo e Pernambuco. O Ministério da Saúde destaca que o número é muito superior à média histórica anual. Entre os casos confirmados, há mortes, internações graves e sequelas como perda de visão.
A Polícia Federal investiga a produção e a distribuição dessas bebidas adulteradas, muitas vezes produzidas pelo crime organizado com etanol clandestino, sem indicação da composição no rótulo, o que eleva o risco à vida dos consumidores.
Como resposta, a Câmara dos Deputados aprovou em regime de urgência o projeto de lei 2.307/2007, que torna crime hediondo a falsificação ou adulteração de bebidas alcoólicas. O projeto prevê penas que podem chegar a 30 anos de reclusão, visando aumentar a punição e coibir a prática ilegal.
