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Terça-feira, 26 de Maio de 2026
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Debate amplo sobre a PL da Cinderella e outras questões sobre Teresópolis e Brasil promovido pelo Vagalume

O Vagalume Open Bar promove mais um debate amplo sobre diversas questões da comunidade e fica na vanguarda do entretenimento e cultura na cidade, com DJs que tocam MPB cheios de "Swag"

Debate amplo sobre a PL da Cinderella e outras questões sobre Teresópolis e Brasil promovido pelo Vagalume
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A Unidade Popular promoveu um amplo debate sobre o Projeto de Lei da Cinderella e temas centrais para o Brasil e o mundo, como o papel da esquerda, soberania nacional, cidadania, desigualdades sociais e os desafios para construir uma sociedade justa e igualitária. O encontro reuniu ativistas, intelectuais e representantes partidários que destacaram diferentes perspectivas sobre a luta política e social no país.

Rodrigo Cocenza ressaltou a crise atual da esquerda, afirmando que, ao contrário de épocas anteriores em que existia uma tendência para radicalizar e avançar, hoje o cenário é de desespero, e a esquerda parece perder seu espaço para propor reformas. “Lutamos para não perder, há 20, 30 anos, e isso é perder a capacidade de fazer um discurso próprio, mesmo que reformista”, alertou. Para ele, é urgente retomar a capacidade de atuar e avançar, mesmo que com passos pequenos, para reconstruir um projeto mínimo que aponte para a luta transformadora. Cocenza também criticou a gestão neoliberal dos chamados governos de esquerda, que dirigem o capitalismo com pouca ousadia e apenas garantem um mínimo de dignidade às camadas populares.

Um membro da Unidade Popular compartilhou um relato pessoal tocante sobre a perda da organização popular nas periferias. Contou a história de seu avô, líder comunitário negro que lutou pelo desenvolvimento do Jardim Corretino, mas cuja comunidade nunca recebeu o apoio da esquerda estruturada. Segundo ele, essa desconexão abriu espaço para o avanço do conservadorismo religioso, que substituiu a esperança por uma fé passiva e alheia à transformação social, com líderes religiosos empresariais impondo uma ideologia que fragiliza a luta contra a desigualdade.

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Yuri aprofundou a análise sobre as contradições de classe, destacando como a elite brasileira se acomoda nos acordos com potências imperialistas, especialmente os Estados Unidos, mesmo que isso dificulte a soberania nacional. Ele ressaltou que o Brasil ocupa uma posição intermediária na cadeia global, negociando relações desiguais inclusive com países africanos, e que o verdadeiro caminho para a independência passa pelo protagonismo da classe trabalhadora.

Vinicius Motta trouxe uma perspectiva histórica e internacional, lembrando o impacto do socialismo nos anos 40 e 50, que fomentou prosperidade relativa para os trabalhadores em várias periferias do mundo e provocou temor nas elites. Ele ressaltou que a religiosidade sempre foi utilizada como ferramenta ideológica para justificar diferentes ordens sociais e que, hoje, líderes religiosos representam interesses empresariais que permeiam as comunidades. Motta destacou a importância da construção de vanguardas revolucionárias, baseadas na organização política e na teoria, para que o movimento operário consiga avançar e disputar a consciência das massas. Ele lembrou que, mesmo em momentos de arrefecimento dos movimentos, é fundamental permanecer nas comunidades e fábricas para fortalecer a luta, defendendo a reestatização de serviços e a ousadia para propor um novo mundo.

O encontro também contou com a reflexão de um jornalista sobre a necessidade de ampliar as pautas trabalhistas para além das questões tradicionais, reconhecendo os desafios para articular um projeto político capaz de enfrentar a direita. Ele expressou um pragmatismo crítico diante das dificuldades históricas da esquerda, a quem atribuiu falhas em construir consensos amplos e efetivos.

A reunião da Unidade Popular expôs a complexidade dos debates à esquerda brasileira e apontou para a urgência de retomar a construção de um projeto político consistente que combine organização popular, debate ideológico e estratégias realistas para enfrentar as contradições do presente. A reconstrução da esquerda passa pela união entre teoria e prática, pela atuação nas bases sociais e pela resistência contra as forças conservadoras que buscam impedir avanços sociais e a verdadeira soberania nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Cuaracy Cendom
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