Na Casa de Cultura, escritores, educadores e artistas reuniram-se para um encontro literário que colocou em evidência trajetórias pessoais, projetos pedagógicos de leitura e a produção de poesia como ponte entre famílias, escolas e comunidades locais. O debate abordou a evolução da prática teatral e literária desde a experiência de ensinar teatro em Campos Grande no fim dos anos 1990 até os desdobramentos contemporâneos, com interesse especial pela participação de crianças, jovens e adultos no mapa da leitura.
Trajetória educativa e projeto comunitário
Uma das falas centrais descreveu a transição de uma educação mais presencial para o presente cenário urbano, marcado pela onipresença de tecnologias. A professora de teatro relatou que, naquela época sem celulares, a relação direta com o público conduzia a maior criatividade entre os alunos; hoje, mesmo com abundância de informações, manter esse elo criativo pode exigir novas estratégias. Ela mencionou o projeto Poemar, desenvolvido na escola, e a intenção de estender essa iniciativa à região onde reside, envolvendo merendeiras, inspetores e demais membros da comunidade escolar no processo de produção de poesia e publicação de livros escolares.
Raízes e identidade na literatura infantil e juvenil
A palestrante, nascida em Itabuna e criada no Rio de Janeiro, destacou quase cinco décadas de atuação, enfatizando os desafios de manter o hábito da leitura entre crianças que passam grande parte do tempo com o celular. Ela apresentou projetos de literatura infantil e crônicas, como Amor aos 70, Desafios e Possibilidades, fortalecidos pela participação comunitária na construção de obras, saraus e a circulação de livros dentro da escola. O relato reforçou a ideia de que o envolvimento de toda a comunidade escolar – incluindo funcionários e professores – é essencial para a produção literária local.
Narrativas indígenas, africanas e de identidade
O encontro também dedicou espaço às narrativas sobre povos originários das Américas, com referência à publicação Legos da Floresta, que aborda explicações tradicionais sobre a criação do mundo e busca resgatar raízes culturais para leitores de todas as idades. A palestrante destacou a importância de reconhecer e valorizar a diversidade brasileira, entendendo a leitura como meio de reforçar a identidade nacional, sobretudo entre o público infantil e juvenil.
Literatura como prática social
Foi enfatizada a interseção entre literatura, diversidade e questões sociais, com relatos que abordam a vida de jovens, violência, migrações, identidade de gênero e classe social. Obras que retratam realidades locais foram citadas como ferramentas de transformação, com a leitura sendo encarada como prática coletiva que pode influenciar leitores a se tornarem adultos leitores.
Perspectivas para o futuro
Ao final, o grupo manifestou o desejo de ampliar o circuito de leitura por meio de saraus, encontros em espaços comunitários e parcerias com editoras. A ideia central foi tornar a leitura mais acessível e próxima do cotidiano, fortalecendo a literatura como motor de desenvolvimento cultural e humano na região.

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