Hoje é dia de campeonato de hóquei na Casa de Portugal, um esporte que tem ganhado força na cidade e retomado sua importância histórica. A competição reúne equipes de diferentes estados em quatro categorias. Tradição em Teresópolis, o hóquei oferece muito mais do que competição: traz cidadania e sonhos para as crianças locais, especialmente por meio de projetos sociais que incentivam a inclusão e o desenvolvimento.
Ao chegar à quadra, já vimos a equipe sub-12 se aquecendo, junto com as crianças que participam do projeto social. As expectativas para os jogos são altas e as equipes estão muito bem preparadas para as disputas do dia.
Para conhecer melhor essa história e os desafios, conversamos com Fernando Louzada, técnico das equipes da Casa de Portugal de Teresópolis.

Cuaracy: Fernando, pode nos contar um pouco da história do hóquei aqui em Teresópolis?
Fernando Louzada: Claro! O hóquei começou aqui em 1957, quando ainda não existia a Casa de Portugal. Naquela época, um grupo português, o Grêmio Português de Teresópolis, se reunia em uma pequena sala, que ficava perto da Calçada da Fama, em frente à Soraya, em cima do Bradesco. Eles queriam ampliar o espaço, mas tinham apenas essa salinha.
Com a oportunidade de comprar um terreno para construir um clube maior, o Grêmio Português se uniu ao Hockey Clube Teresópolis, que já existia na cidade, e juntos fundaram o clube que conhecemos hoje. Assim, o hóquei começou com essa fusão em 1957.
Ao longo dos anos, vários jogadores talentosos foram formados aqui, inclusive atletas que chegaram a integrar a seleção brasileira. No entanto, por diversos motivos, o esporte perdeu um pouco de força e acabou ficando mais discreto. Mesmo assim, por ser uma tradição do clube, não podia acabar.
Nós, um grupo de amigos apaixonados, nos juntamos para reerguer o hóquei e, hoje, a Casa de Portugal é uma potência nacional no esporte. O hóquei está totalmente integrado à vida do clube.
Cuaracy: E o que isso significa para a comunidade, principalmente para as crianças?
Fernando Louzada: Hoje temos muita criança participando, que é exatamente o que nosso presidente, Eduardo Justiniano, sempre quis. Ele é um grande trabalhador e incentivador do hóquei. O esporte ajuda a trazer mais crianças para o clube, o que é fantástico.
Temos um projeto social muito importante: a escolinha social que acontece aos sábados pela manhã e não tem custo para as famílias. Pessoas de fora podem participar, mas atendemos prioritariamente crianças da rede pública de ensino, municipal ou estadual.
Para se inscrever, basta comparecer ao clube no sábado pela manhã, por volta das 8 horas, e fazer a matrícula com a Márcia, que acompanha todo o processo. O clube fornece todo o material necessário, ou seja, a criança não precisa gastar nada para participar.
Além do projeto social, temos também escolinhas pagas que acontecem em outros dias da semana, de segunda a quinta-feira. Mas o nosso foco é garantir o acesso gratuito para as crianças que mais precisam.
Cuaracy: A Casa de Portugal também já competiu em campeonatos nacionais, não é?
Fernando Louzada: Sim, sempre participamos dos campeonatos brasileiros, e algumas vezes até de competições sul-americanas. Há quatro anos, participamos do Campeonato Mundial Master em San Juan, na Argentina, e ficamos em quarto lugar, o que foi uma conquista incrível, considerando o nível dos times argentinos.
Este ano, teremos o Campeonato Brasileiro Adulto em Recife, em outubro, além do Master em novembro, também na mesma cidade. Além disso, estamos na expectativa do Pan-Americano, com uma seleção nacional que possivelmente contará com dois jogadores do nosso clube para disputar o Mundial futuramente.
Cuaracy: Que trajetória incrível! Muito obrigada, Fernando, por compartilhar essa história e esse trabalho tão importante para a nossa cidade.
Fernando Louzada: Eu que agradeço! Estamos sempre de portas abertas para receber quem quiser conhecer e fazer parte desse projeto. O hóquei é mais que um esporte aqui, é uma família e um sonho para muitos jovens de Teresópolis.
