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EUA enviam navios de guerra à costa da Venezuela em nova escalada contra o tráfico de drogas e governo Maduro

Segundo informações obtidas pela Reuters e pela Associated Press, os navios USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson, acompanhados de cerca de quatro mil marinheiros e fuzileiros navais

EUA enviam navios de guerra à costa da Venezuela em nova escalada contra o tráfico de drogas e governo Maduro
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EUA enviam navios de guerra à costa da Venezuela em nova escalada contra o tráfico de drogas e governo Maduro

 

Washington, 19 de agosto de 2025 – Em uma movimentação que reforça o clima de tensão na América Latina, os Estados Unidos anunciaram o envio de três destróieres de mísseis guiados para as águas próximas à costa venezuelana. A operação, oficializada pelo governo do presidente Donald Trump, tem como objetivo declarado o combate aos cartéis de drogas que atuam na região. No entanto, observadores críticos e analistas internacionais apontam que a iniciativa norte-americana não se restringe ao tráfico de entorpecentes e integra um padrão histórico de intervenções que buscam desestabilizar governos considerados contrários aos interesses geopolíticos de Washington.

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Segundo informações obtidas pela Reuters e pela Associated Press, os navios USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson, acompanhados de cerca de quatro mil marinheiros e fuzileiros navais, devem se posicionar nas próximas 36 horas em uma operação que também incluirá aviões de vigilância P-8 e pelo menos um submarino de ataque. A missão, prevista para durar vários meses, terá atuação em águas e espaço aéreo internacionais, com capacidade para ações de inteligência, patrulhamento e eventuais ataques.

 

O governo Trump classifica cartéis latino-americanos, como o Tren de Aragua da Venezuela e o cartel de Sinaloa do México, como organizações terroristas globais, justificando assim o uso de meios militares ostensivos para combater o tráfico de drogas e a violência correlata. Além disso, a administração americana tem intensificado a pressão sobre países vizinhos, como o México, para endurecer as políticas de segurança e cooperação no combate às organizações criminosas.

 

Para muitos governos e movimentos progressistas da região, porém, a narrativa do combate às drogas serve como pretexto para operações com objetivos políticos. Desde o golpe militar no Chile em 1973, passando por intervenções no Panamá, Nicarágua e mais recentemente na Venezuela, há uma longa tradição de ações diretas ou indiretas dos Estados Unidos visando remover lideranças que adotam políticas independentes e desafiadoras ao modelo neoliberal e às influências estadunidenses.

 

Nesse contexto, as declarações do presidente venezuelano Nicolás Maduro, feitas em 18 de agosto, evidenciam o temor do país frente à escalada norte-americana. Maduro classificou os EUA como um “império enlouquecido” disposto a prejudicar a soberania venezuelana, e anunciou a mobilização de cerca de 4,5 milhões de milicianos – uma força criada inicialmente pelo ex-presidente Hugo Chávez para a defesa popular –, a fim de proteger o território nacional.

 

A Venezuela enfrenta um bloqueio econômico severo imposto pelos EUA há anos, e Maduro é alvo de sanções, acusações de narcoterrorismo e uma recompensa internacional para sua prisão. Ainda assim, para setores críticos ao governo americano, essa retórica faz parte de uma estratégia para justificar intervenções militares e tentar alterar o cenário político local, reforçando o cerco à soberania do país.

 

Outro ponto de preocupação é a posição do Brasil, que, embora ainda não tenha definido oficialmente sua resposta à movimentação militar norte-americana, compartilha fronteiras com a Venezuela e observa com cautela os possíveis impactos na segurança regional e o risco de um novo capítulo de instabilidade no continente.

 

Até o momento, o Ministério das Comunicações venezuelano não se pronunciou sobre o deslocamento dos navios estadunidenses.

 

Análises de especialistas sul-americanos

 

O professor e cientista político argentino Marcelo Rojas destaca que "a presença militar dos Estados Unidos perto da Venezuela é parte de um velho roteiro que utiliza o combate ao narcotráfico como fachada para ações que visam fragilizar governos que desafiam seu domínio regional. A história recente da América Latina está marcada por intervenções disfarçadas, que levam à desestabilização social e política dos países alvos."

 

Para a socióloga brasileira Ana Paula Ferreira, "a movimentação dos EUA expõe a vulnerabilidade estrutural dos países latino-americanos frente à influência de potências externas. O Brasil precisa definir sua posição com responsabilidade, considerando que o crescimento das tensões pode desdobrar-se em crises humanitárias e migratórias, além de afetar a segurança na fronteira, que já é um ponto sensível."

 

Já o analista político venezuelano Luis Mendoza observa que "a escalada militar norte-americana autorizada por Trump é uma continuidade das políticas de cerco ao governo Maduro, que nos últimos anos tem se fortalecido pelo apoio popular e por alianças estratégicas com outros países do bloco regional. As ameaças externas, no entanto, também servem para unificar forças governamentais e popular contra o que é percebido como imperialismo, fortalecendo a narrativa de resistência."

 

Além disso, a pesquisadora chilena Sofia Contreras, especializada em relações internacionais, aponta que "a classificação dos cartéis latino-americanos como organizações terroristas pelo governo americano é uma reinterpretacão que serve para legitimar o emprego de forças militares convencionais em cenários onde normalmente haveria operações policiais. Isso expande o espectro de atuação dos EUA, renovando uma política externa intervencionista que a região conhece bem e que frequentemente ignora o direito internacional."

 

Impactos na região

 

O aumento da presença militar estadunidense no Mar do Caribe e em pontos estratégicos próximos ao continente tem gerado respostas oficiais de diversos países latino-americanos, que veem a movimentação com apreensão. Embora alguns governos mantenham diálogos discretos com Washington, a maioria reforça o apelo ao respeito à soberania nacional e à solução pacífica dos conflitos.

 

O Brasil, em especial, vive um momento delicado, dividindo-se entre pressões para aderir a alianças mais próximas aos EUA e a necessidade de preservar uma política externa independente que respeite as diretrizes do Mercosul e da Unasul, organismos regionais voltados para a cooperação multilateral.

 

Enquanto isso, crescem as manifestações e mobilizações em setores da sociedade civil que denunciam os riscos de uma intervenção militar e pedem diálogo e soluções diplomáticas para a crise venezuelana e os desafios decorrentes da luta contra o narcotráfico.

 

Fontes utilizadas:

 

Reuters (2025). “Estados Unidos mobilizam três destróieres para costa da Venezuela”.


Associated Press (2025). “Navios de guerra americanos chegam para reforçar combate ao tráfico na América Latina”.

Estadão Conteúdo (2025). “Trump classifica cartéis latino-americanos como organizações terroristas”.

Discursos oficiais de Nicolás Maduro (Agosto de 2025).

Entrevistas e opiniões de especialistas sul-americanos: Prof. Marcelo Rojas (Argentina), Socióloga Ana Paula Ferreira (Brasil), Analista Luis Mendoza (Venezuela) e Pesquisadora Sofia Contreras (Chile)

FONTE/CRÉDITOS: Cuaracy Barbosa
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