Os bairros mais afastados do centro de Teresópolis, especialmente as áreas rurais, vivem à margem da atenção das autoridades locais. Moradores relatam que vereadores e representantes só aparecem em época de eleição, enquanto problemas graves permanecem sem solução.
A promessa de coleta seletiva, muito discutida, esbarra na falta de locais adequados para o descarte do lixo. Essa é a realidade da Teresópolis esquecida — uma cidade invisível para o poder público, onde a pobreza e a precariedade se acumulam, e crianças chegam a passar fome.

Fischer: Um Bairro Marcado pelo Lixão e a Falta de Infraestrutura
Localizado após o bairro Prata, o Fischer é conhecido principalmente pelo lixão que abriga e que encontra-se interditado. Mas, por trás dessa imagem, vivem trabalhadores de diversos setores, como construção civil e comércio, que enfrentam uma realidade dura.
As ruas do bairro estão esburacadas, com esgoto e lixo a céu aberto, além da criação desordenada de animais. A escola local, que poderia ser um espaço de esperança, está em condições precárias. O prédio é pequeno e não comporta todos os alunos. Ao lado, uma obra abandonada acumula materiais e sofre com infiltrações, sem previsão de retomada.
Moradores também clamam por espaços de lazer, como quadras, parquinhos e academias para idosos, que poderiam melhorar a qualidade de vida na comunidade. Muitas casas populares foram deixadas pela metade, obrigando famílias a viver em construções inadequadas. A precariedade das ruas impede até mesmo a passagem de ônibus em alguns trechos.
Moradores reclamam da falta de apoio e serviços básicos
Giza, moradora do Fischer, relata a luta diária da comunidade:
“Estamos correndo atrás de limpeza, manutenção, uma quadra para as crianças e um parque para que possam brincar. Também buscamos a reforma da escola e mais horários de ônibus. Nosso bairro é completamente esquecido pelo serviço público. A única coisa que temos é a nossa voz.”
Elayne, moradora do Fischer, reforça a necessidade de espaços seguros para as crianças:
“As crianças pulam o muro da escola para brincar, mas isso não é certo. Precisamos de um local adequado para elas.”
Maria Idina Silva destaca a falta de serviços essenciais:
“Precisamos de creche, escola melhor, caçamba para o lixo. Não temos padaria, açougue, nada. Este lugar está abandonado.”
Tainá, outra moradora, aponta os problemas no transporte e infraestrutura:
“O transporte passa a cada duas horas, o asfalto está todo esburacado, e não temos padaria ou mercado perto.”
Realidade Crua: Crianças e moradores em condições precárias
No Fischer, o convívio entre lixo, animais e crianças é constante. Muitas crianças brincam no meio do lixo, expostas a riscos graves, enquanto mulheres carregam seus filhos sem perspectivas de melhora. Piscinas improvisadas com água suja são usadas tanto por crianças quanto por animais, aumentando os riscos de doenças.
Um caso emblemático é o de uma moradora que, mesmo após receber uma casa construída pela igreja, ainda precisa usar um balde para suas necessidades básicas durante a madrugada — um retrato da precariedade extrema que muitos enfrentam.
Conclusão: Urgência por políticas públicas e participação comunitária
O Fischer é um exemplo claro do abandono que atinge muitos bairros periféricos de Teresópolis. A falta de saneamento, transporte, educação adequada e lazer compromete o desenvolvimento dessas comunidades e o futuro de suas crianças.
É urgente que o poder público assuma o compromisso de investir em políticas integradas que garantam infraestrutura básica, habitação digna, educação e espaços de convivência. A mobilização da comunidade é fundamental, mas sem a ação efetiva dos governantes, o ciclo da exclusão social continuará.
Teresópolis precisa enxergar e atender seus bairros esquecidos, garantindo dignidade e oportunidades para todos os seus moradores.
