Teresópolis deu um passo importante rumo à sustentabilidade neste sábado, 12 de abril, com a realização do 1º Fórum Teresópolis Sustentável, na Casa de Cultura Adolpho Bloch. Com uma programação intensa e diversificada, o evento reuniu desde autoridades ambientais a catadores de recicláveis, propondo reflexões e soluções concretas para os problemas ambientais locais — com destaque para a gestão dos resíduos sólidos.
As atividades começaram logo cedo, às 8h, com o plantio simbólico de mudas, promovido pelo Projeto Reflorestar e o Programa Atitude Legal Necessária, simbolizando o compromisso coletivo com a regeneração ambiental.

Durante o credenciamento, o clima era de mobilização e troca de saberes. Às 9h, o fórum foi oficialmente aberto com a leitura da “Carta da Terra”, documento internacional que inspira ações éticas para um futuro sustentável.
Logo em seguida, os palestrantes Rita Oliveira e Felippe Rocha, da Carbon Tech, abordaram o impacto global e local da geração de lixo e apresentaram alternativas como o biogás, os créditos de carbono e a Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR) como oportunidades reais de transformação.
A professora Cristina Guarilha destacou a importância da educação ambiental como base da cultura ecológica:
“Sem consciência, não há política pública que se sustente. A educação ambiental precisa estar na base da formação da cidadania”.
Após um breve intervalo, a professora doutora Gleyse Peiter reforçou a ideia da economia circular, defendendo que "lixo não é lixo, e sim matéria-prima fora do lugar". A fala foi seguida pelo professor Ricardo Harduim, da PRIMA, que explicou os caminhos para a descarbonização dos resíduos, visando a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE).
Um dos momentos mais impactantes veio com a fala de Edson Freitas Gomes, presidente da ANCAPRE (Associação Nacional de Apoio à Cadeia Produtiva da Reciclagem), que trouxe à tona a realidade tributária enfrentada pelos catadores e recicladores:
“Hoje eu vim aqui explicar o problema da bitributação que inviabiliza e prejudica os catadores. Não só os catadores, mas toda a cadeia produtiva da reciclagem. Quem recicla hoje paga mais tributo do que quem explora matéria-prima no meio ambiente. Isso precisa mudar”, afirmou.
Ele defendeu ainda a importância de se garantir justiça tributária e social para fortalecer o setor:
“Estamos buscando fortalecer essa cadeia produtiva, desde o catador até a indústria, com rastreabilidade e valorização.”
O mediador do evento, professor Gilberto Teixeira, apresentou a proposta “SOS Lixo”, documento que prevê a criação de dois projetos-pilotos: o Núcleo Gestor de Resíduos Orgânicos, voltado à zona rural, e o Núcleo Gestor de Resíduos Inorgânicos, voltado à zona urbana.
“Estamos propondo um modelo aplicável e adaptado à realidade local. A ideia é que Teresópolis se torne referência em políticas de gestão de resíduos e desenvolvimento sustentável”, destacou Teixeira.
O encerramento foi marcado por arte e emoção: a atriz Edinar Corradini realizou uma leitura dramatizada do poema “Gaia Mãe Terra”, de Vidocq Casas, seguida de uma apresentação acústica do grupo Humano Novo (Caraforró), com músicas voltadas à preservação da natureza e ao equilíbrio planetário.

O evento integra a programação do Dia da Terra 2025 e faz parte das atividades preparatórias para a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) que acontecerá em novembro na cidade de Belém (PA). A mobilização em Teresópolis reforça o papel das cidades na luta contra a crise climática e na construção de um futuro mais justo e verde.










