CREAS Teresópolis e equipe CCLGBTI+ promovem atendimento especializado à população LGBTQIA+ e enfrentam desafios da comunidade
Na próxima sexta-feira, 22 de agosto, o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) de Teresópolis receberá o Centro Itinerante do Centro de Cidadania LGBTI+ Serrana II - Duda Collins para um atendimento especializado e acolhedor à população LGBTQIA+ da região. O atendimento especializado integra a oferta já existente de serviços sociais, jurídicos e psicológicos, garantindo um espaço de suporte e combate à LGBTfobia para essa comunidade vulnerável.
Durante o evento, também será realizado um mutirão para cadastramento na requalificação civil, facilitando a retificação de nome e gênero para pessoas maiores de 18 anos, em parceria com a Justiça do Rio de Janeiro. Para participar, os interessados devem apresentar documentos pessoais básicos, como identidade, CPF, comprovante de residência e certidão de nascimento.
O trabalho do Centro de Cidadania LGBTI+ vai além do atendimento individual, atuando em políticas públicas que asseguram direitos e promovem a inclusão social, em diálogo constante com os equipamentos municipais de assistência social, como CRAS e CREAS.
O nome do centro itinerante – Serrana II - Duda Collins – é uma homenagem à ativista trans que faleceu em 2023 em Petrópolis. Aos 40 anos, Duda Collins foi uma voz fundamental na luta pelos direitos das mulheres trans e pelos direitos humanos da comunidade LGBTQIA+ local, destacando-se como assessora técnica no CCLGBTI Serrana II. Sua dedicação deixou um legado que segue reverberando nas ações de proteção e promoção da cidadania.
Desafios da população LGBTQIA+ atendida
A população LGBTQIA+ enfrenta desafios frequentemente invisibilizados e agravados pela discriminação estrutural e social. Entre os mais urgentes estão o alto índice de pessoas em situação de rua, muitas abandonadas pela família devido à rejeição por orientação sexual ou identidade de gênero. Essa rejeição familiar é um dos principais fatores que levam jovens LGBTQIA+ à vulnerabilidade extrema.
Além disso, essa população sofre com a violência física, verbal e sexual, que é muito mais intensa para quem está em situação de rua, agravada ainda pela dificuldade no acesso a serviços públicos essenciais, como saúde, abrigos e assistência social. Muitos acabam inseridos em atividades marginalizadas, como a prostituição, em contextos marcados por riscos e exploração.
O estigma e o preconceito, mesmo dentro dos próprios serviços que deveriam amparar essas pessoas, dificultam a elaboração de políticas públicas efetivas e a garantia de direitos humanos fundamentais para essa população.
Iniciativas de acolhimento e políticas públicas
Algumas cidades brasileiras vêm implementando programas de acolhimento especializado para a população LGBTQIA+. São oferecidos abrigos exclusivos para travestis e transexuais, suporte psicológico, cursos profissionalizantes, auxílio financeiro e atividades culturais de inclusão. Redes de apoio, como a Rebraca, fortalecem o acolhimento em casas de passagem para jovens.
Campanhas como “SOS Casão” ajudam a arrecadar recursos e conscientizar a população sobre a situação da comunidade LGBTQIA+ em vulnerabilidade social. A mobilização de equipamentos como os CRAS e CREAS é fundamental para a articulação dessas políticas locais.
O atendimento promovido pelo CREAS Teresópolis em parceria com o CCLGBTI+ é um exemplo concreto dessa articulação, promovendo acolhimento especializado, escuta qualificada e facilitando o acesso à justiça para a população LGBTQIA+ da região serrana do Rio de Janeiro.
Fonte das informações: Dados e relatos obtidos junto ao CREAS Teresópolis, Centro de Cidadania LGBTI+ Serrana II - Duda Collins, além de estudos e campanhas nacionais de defesa dos direitos da população LGBTQIA+.
