Uma tragédia humanitária sem fim. Milhares de palestinos teriam saqueado um armazém na Faixa de Gaza do Programa Mundial de Alimentos (PMA), informou a agência da ONU. O fato informado nesta quinta-feira, 29, ocorreu no dia anterior. Segundo a agência, há suspeita de duas mortes ocorridas no tumulto.
"Hordas de pessoas famintas invadiram o armazém Al-Ghafari do PMA em Deir al-Balah, no centro de Gaza, em busca de suprimentos de alimentos que estavam pré-posicionados para distribuição", afirmou o PMA em um comunicado, no qual exige um "acesso humanitário seguro e sem obstáculos".
Antes disso, havia muita polêmica em relação à fundação escolhida por Israel e EUA para distribuição de comida na região. Na terça, 27, tropas israelenses dispararam tiros de advertência contra milhares de palestinos famintos que haviam se dirigido a um centro de distribuição de alimentos na Faixa de Gaza. O episódio, segundo a agência de notícias DW, "escancarou não só a crescente situação de desespero no enclave acossado pela guerra, mas também falhas na atuação de uma misteriosa organização novata apoiada pelos EUA e Israel para liderar iniciativas de ajuda humanitária em Gaza, contornando ONGs e grupos com mais experiência na região".
Imagens distribuídas pela rede BBC e pelo jornal The New York Times mostraram milhares de pessoas se amontoando para tentar conseguir caixas de alimentos num centro de distribuição em Rafah, no sul de Gaza. O centro havia sido instalado pela chamada Gaza Humanitarian Foundation (GHF), um grupo criado em fevereiro e que até onde se sabe não tem histórico de atuação relevante em lidar com crises humanitárias, mas que mesmo assim recebeu sinal verde dos EUA e de Israel para controlar a distribuição de ajuda em Gaza.
Agências das Nações Unidas ressaltam necessidade de aumento imediato na distribuição de auxílio; alimentos e medicamentos estão prestes a expirar; mais de 95% das áreas agrícolas foram destruídas ou estão inacessíveis.
