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Quinta-feira, 05 de Novembro 2026
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“O Ninho” transforma galeria digital da ProArte em abrigo poético e interativo

Com projeções mapeadas, trilha original e estruturas tridimensionais, instalação idealizada por Vanessa Barini provoca reflexões sobre tempo, natureza e vínculos afetivos

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Com projeções que percorrem as paredes, o chão e até estruturas tridimensionais criadas especialmente para o espaço, a exposição interativa “O Ninho” do Coletivo Arani transforma a galeria digital da ProArte em um verdadeiro refúgio sensorial. A instalação, idealizada há mais de 15 anos, finalmente ganhou vida graças aos avanços tecnológicos e ao incentivo da Lei Rouanet, por meio da FESV e da Alternata, patrocinadora do projeto.

A artista Vanessa Barini, uma das integrantes do coletivo, conta que o projeto surgiu muito antes de existir tecnologia suficiente para concretizá-lo. “Quando ele foi pensado, não tinha nem tecnologia pra fazer isso. Nem a ideia dos sólidos nas paredes existia ainda”, explica. A evolução técnica permitiu que “O Ninho” se tornasse possível com o uso de softwares como o Videomap, responsável por mapear digitalmente o espaço e encaixar os vídeos nos pontos exatos de projeção.

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O vídeo principal da instalação foi criado em parceria com um artista de Niterói, com quem Barini desenvolveu também a trilha sonora. A narrativa visual é construída com base em ciclos — como os das estações do ano — e evoca o tempo natural da vida. “Você fica aqui cinco minutos, passou o ano. É dia, noite, manhã, tarde... tudo se transforma diante de você”, relata a artista.

Um dos grandes diferenciais da instalação é a utilização de sólidos tridimensionais nas paredes, inspirados em um conceito desenvolvido por um artista francês. “Cada pedacinho do sólido é uma projeção diferente. Cada face recebe uma imagem, uma camada de significado”, detalha Barini. A ambientação também se estende ao chão da galeria, criando uma experiência imersiva completa. “É bacana porque a gente vai percebendo aos poucos. São nuances, sutilezas que convidam à contemplação.”

A exposição propõe não só uma experiência estética, mas também reflexiva. A palavra ninho, segundo Vanessa, evoca abrigo, casa, vínculos. “É onde a vida se forma. E o nosso planeta também é um ninho. Então, o que a gente está fazendo com ele? Que relações estamos construindo?”, questiona.

Mais do que contemplar, “O Ninho” convida o público a interagir. Sentar, observar, comentar, tocar. Cada gesto do espectador transforma a obra. “A arte contemporânea não são trabalhos prontos. Ela depende da troca. Quando você traz sua percepção, você acrescenta à exposição. Isso é obra de arte também”, afirma Barini.

A exposição se ancora na ideia de que a arte está presente em todos os aspectos da vida. “Quando você escolhe uma roupa, uma cor, um corte de cabelo... tudo isso tem arte. Porque um artista pensou naquilo antes. A arte está na origem da nossa expressão”, reflete.

Para Barini e toda a equipe da ProArte, o apoio da Lei Rouanet foi essencial para que o projeto se tornasse realidade. “Acreditamos que a arte é a base de tudo. Uma sociedade só evolui se valoriza e vivencia a arte”, defende.

“O Ninho” segue em cartaz na galeria digital da Feso ProArte até o dia 21 de junho de 2025. A exposição é uma criação do Coletivo Arani, formado por Clélia Brito, Márcia Tayt-Sonh, Vanessa Barini e Vânia Catarina. Para mais informações e agendamento de visitas guiadas, entre em contato com a Feso ProArte.

FONTE/CRÉDITOS: Texto e narração: Antonio Vinicius
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