Muitos me perguntam sobre meu nome social, Cuaracy, o nome que uso para escrever atualmente. Esse nome é o do Deus Sol na língua dos povos originários do Brasil, um símbolo de grande poder e beleza. O panteão dos deuses ameríndios é extenso e muito interessante, muito similar ao panteão dos deuses gregos. Mais à frente, falaremos sobre os povos originários do estado do Rio de Janeiro.

No romance O Guarani, de José de Alencar, às margens do rio Paquequer, é narrado um amor entre Peri, um guerreiro nativo forte e heroico, e uma mulher branca da alta sociedade do Rio de Janeiro. Peri, cuja figura remete aos heróis gregos, representa a fase do romantismo que buscava a identidade nacional por meio do reconhecimento dos povos indígenas. Seu nome provavelmente deriva da tribo dos Puris, que habitava a região serrana do estado.
Além dos Puris, outras etnias importantes da região eram os Uaitacás, que deram origem ao nome da cidade de Campos dos Goytacazes, os Coroados, os Tupinambás, os Coropós e os Guaranis, também mencionados por Alencar. Esses povos contribuíram para a formação do sotaque único do Norte Fluminense, que mistura o afrancesamento do português das classes altas com uma pronúncia melódica e a interjeição característica "Ê-ê!", usada em diversas situações. Muitas palavras do português brasileiro, como capim, abacaxi, caju e inhame, têm origem indígena.
Essas tribos e seus descendentes representam a riqueza cultural e histórica dos povos indígenas brasileiros, cuja influência permanece viva na língua, nos costumes e na identidade regional, reforçando a importância de valorizar e preservar suas tradições. Vale lembrar que o Dia do Índio é celebrado anualmente em 19 de abril, uma data que convida à reflexão sobre essa herança tão significativa.