Um simples gesto com a mão – fechar os dedos sobre o polegar dobrado – pode significar um pedido de socorro silencioso, mas poderoso. A campanha do sinal de ajuda contra a violência doméstica vem ganhando visibilidade em Teresópolis graças à atuação do Grupo AMA Apoio Social, liderado por Joselaine Ribeiro, conhecida como Josi. A iniciativa visa divulgar amplamente o símbolo como uma ferramenta de proteção para mulheres em situação de risco.


O gesto, popularizado inicialmente por campanhas internacionais e reforçado no Brasil por figuras como a vereadora Erika Marra, representa uma forma discreta de comunicar que a pessoa está em perigo e precisa de ajuda. Ao reconhecer o sinal, quem presencia deve acionar imediatamente a Patrulha Maria da Penha ou os órgãos competentes. “Esse símbolo pode salvar uma vida. É muito importante que as pessoas saibam o que significa”, reforça Josi.
A campanha é mais uma frente de atuação do grupo AMA, que há sete anos promove ações sociais em diferentes frentes, com foco na proteção da mulher, mas também no acolhimento de adolescentes, idosos e crianças com deficiência. Entre os projetos em andamento estão a distribuição de botões do pânico – tecnologia desenvolvida em Curitiba e adotada pela organização – e o fornecimento de abafadores de ruídos para crianças autistas.
Josi, que já atuou na Câmara Municipal e em projetos de desenvolvimento social, relembra com emoção sua trajetória. Vítima de violência doméstica por 28 anos, ela transformou sua dor em força para ajudar outras mulheres. “Sofri abuso desde a infância e um casamento abusivo que me destruiu psicologicamente. Quando percebi que minha filha também estava adoecendo, tive forças para sair”, relata.
A inspiração para seguir na militância veio de Ana Magalhães, vice-presidente do grupo e também sobrevivente de agressão. “Quando uma mulher se levanta, outras se levantam com ela”, diz Josi, lembrando a coragem de Ana ao expor publicamente sua dor e não se calar.
A luta do grupo se estende para além das fronteiras do município. “Queremos que o AMA tenha braços em Niterói, no Rio de Janeiro, em Cabo Frio. O Brasil inteiro precisa de apoio”, diz ela, ressaltando o caráter nacional do problema. “Estamos lidando com uma sociedade doente, que ainda vê a mulher como propriedade.”
A advogada Carolina Cardoso, que atua há 17 anos na defesa das famílias e há mais de uma década com vítimas de violência, reforça a necessidade de mudança estrutural também no Judiciário. “Nos tribunais, ainda ouvimos que o filho é responsabilidade da mãe, que a mulher não tem credibilidade. A violência institucional é real e atrasa os processos de justiça”, aponta.
Ela destaca que, apesar da existência de normas como o protocolo de julgamento com perspectiva de gênero, nem todos os juízes o aplicam. “As estruturas precisam mudar constantemente. Caso contrário, retrocedemos”, alerta.
A mensagem da campanha é clara: o símbolo da mão fechada pode ser a diferença entre a vida e a morte. E a missão do AMA é garantir que ele seja amplamente reconhecido. “A mulher precisa saber que não está sozinha. E quem vê o sinal, precisa agir”, finaliza Josi

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