Um projeto que alia história e modernidade estuda a implantação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) turístico no trecho da primeira ferrovia do Brasil, que liga Magé a Petrópolis, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades, analisa a viabilidade do projeto utilizando o leito ferroviário desativado, com aproximadamente 6,5 km de extensão, cinco estações e integração com a estação Vila Inhomirim, que está ligada ao ramal de trens metropolitanos.
O principal objetivo do projeto é explorar o potencial turístico da região serrana, além de melhorar a conectividade entre as cidades. No entanto, devido ao relevo acentuado do trajeto — com rampas íngremes inadequadas para VLTs convencionais — o projeto deve utilizar tecnologias especiais semelhantes às do Trem do Corcovado, que emprega sistema de cremalheira para vencer inclinações de até 30%, garantindo segurança e valorização da experiência turística.
Dados de telefonia indicam que no pico da manhã ocorrem cerca de 3,2 mil deslocamentos entre Magé e Petrópolis, somando transportes coletivos e individuais. Esse volume não justifica um corredor de transporte coletivo de média a alta capacidade focado no transporte diário, reforçando o caráter turístico do VLT. Por essa razão, o projeto foi retirado da Rede Planejada de Mobilidade como prioridade para o transporte de passageiros em grande volume, mas segue autorizado a avançar para a fase de licitação com pareceres favoráveis do INEA, IPHAN e INEPAC garantindo a preservação do patrimônio histórico e ambiental do leito ferroviário.
Em termos orçamentários, a Lei Orçamentária do Estado para 2024 reservou R$ 59 milhões para o início do projeto, acompanhado da previsão total de investimento de cerca de R$ 260 milhões. A Secretaria Estadual de Transportes coordena a reativação, com um prazo estimado de execução de 18 meses, avaliando a viabilidade de execução via concessão ou parceria público-privada. Espera-se que o projeto anualize o transporte de mais de 500 mil pessoas, contribuindo para a mobilidade urbana, o fomento do turismo e a recuperação histórica da ferrovia.
A integração do VLT turístico com o sistema metropolitano existente, especialmente na estação Vila Inhomirim, facilita o acesso à Serra da Estrela e seus atrativos culturais, promovendo turismo de lazer e educação patrimonial. A operação do VLT contemplará velocidades adequadas para segurança e contemplação cênica, equilibrando mobilidade e valorização ambiental e cultural.
Em suma, o projeto do VLT entre Magé e Petrópolis combina uma proposta tecnológica avançada e sustentável adaptada à topografia local, respeita o patrimônio histórico da primeira ferrovia brasileira, e tem respaldo institucional e financeiro para sua implementação, com foco principal no turismo ferroviário e no desenvolvimento socioeconômico regional.

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